Chega um momento da vida em que tudo vira reflexão.
Aqui, parada, olhando minha filha brincar —
o sol me aquecendo,
as árvores balançando suavemente —
penso na vida.
Em tudo o que vi, vivi
e, principalmente,
em tudo o que não vivi.
Por medo.
Por descuido.
Por exaustão.
Por sobrecarga.
É que sou mais da teoria.
Da fantasia.
Da falsa ideia de controle.
Da falta de noção da vida.
Milhares de livros lidos.
Milhares de histórias conhecidas.
Tenho hiperfoco
em viver a vida já vivida.
Mas agora,
aqui,
refletindo,
me pergunto se isso faz algum sentido.
Se meus ídolos entenderiam
ou o que de diferente eles fariam.
Dentro de mim pulsa um desejo imenso de viver,
emaranhado
ao medo intenso de me perder.
Mas quando foi
que me encontrei?