Há uma gravidade particular no arco de tuas formas, um estudo de massas que desafia o repouso. Não é apenas carne; é o ponto onde o mármore decidiu, por fim, aprender a respirar.
Sob a trama leve do tecido—constelado em pequenos astros— repousam dois hemisférios de uma geografia secreta. A tumescência ali não é pressa, é promessa: uma dilatação de tecidos que obedece à lei do toque, onde a derme se torna seda sob a tensão do fluxo sanguíneo.
Observo o vértice onde a luz se perde, naquele vale profundo, o sulco intermamário, que divide com precisão cirúrgica a minha lucidez. Ali, o ar torna-se denso, saturado de um calor próprio, uma termodinâmica de dois corpos em iminente colisão.
E os ápices, essas pequenas joias de pigmentação súbita, reagem ao frio e ao pensamento como sismógrafos do prazer. A rigidez que ali se manifesta é o erétil testemunho de que a biologia, quando refinada pela luxúria, se transmuta em alta literatura.
Tuas formas são, em suma, um paradoxo clássico: a solidez da estrutura contra a fluidez do movimento, o convite ao repouso e a condenação ao insone desejo.