Minha Caixa de Pandora

O amor que existiu enquanto eu dormia

Essa noite sonhei

que o amor ainda tinha mãos.

Que me tocava sem pressa,

como quem reconhece um lar.

 

No sonho, meu corpo

não era dúvida nem ausência:

era abrigo, era aceitação,

era curvas vistas com ternura.

 

Eu não me sentia desprotegida.

Havia presença.

Havia escolha.

O amor não era automático —

era cultivado.

 

Nosso tanque transbordava

de conversas sem medo,

de intimidades ditas baixinho,

de um prazer que nascia

do encontro, não da obrigação.

 

Mas acordei.

E o dia veio vazio,

com um silêncio pesado

onde antes havia cuidado.

 

Entre o sonho e a realidade,

aprendi uma verdade antiga:

decisões feitas sem consciência

nos conduzem a becos sem saída,

onde o amor ainda existe —

mas espera ser buscado.