Chamaram de destino,
outros disseram miragem,
houve quem a visse escrita
em tábuas, estrelas, cicatrizes.
A promessa nunca foi o chão.
Foi o deslocamento.
Marcharam com nomes sagrados na boca,
bandeiras, tambores, códigos secretos,
alguns empunhando fé,
outros fome,
outros somente cansaço.
Cada povo desenhou esse lugar
com a tinta que tinha:
para uns, um vale fértil;
para outros, descanso do medo;
para muitos, apenas o direito
de existir sem pedir licença.
Guerras nasceram de mapas
traçados por mãos tremendo de desejo.
Amores também.
Porque onde há espera,
há choque.
A terra dita eterna
foi templo, trincheira, útero, exílio.
Foi roubada, defendida, idolatrada,
abandonada como quem larga um deus
quando ele não responde.
Mas escuta:
nenhuma promessa sobrevive
se não atravessa o corpo.
Talvez o pacto verdadeiro
nunca tenha sido um território,
mas o instante raro
em que alguém encontra abrigo
no olhar do outro.
Talvez seja isso que buscamos
desde o início dos tempos:
um lugar onde a alma
não precise se armar,
onde o nome seja dito sem medo,
onde a travessia finalmente
faça sentido.
E quando isso acontece -
mesmo que por um segundo-
qualquer ser reconhece.
Porque ali,
sem aviso,
a promessa se cumpre.