Poesia Abandonada

O Cosmo no Chão Batido

No pátio seco, o graveto desenha a fronteira, Um anel de poeira, um eclipse de chão. O círculo é lei, é arena inteira, Onde a sorte se equilibra na palma da mão.

Coloridas galáxias de vidro e de luz, Esperam o impacto, o estalo, o rigor. O polegar tensiona, o olhar se traduz Em cálculo exato de força e de cor.

Lá vai a \"biloca\", em curva ou direta, Rompendo o silêncio da terra macia. Se a mira for pura, se a rota for reta, Expulsa a rival com total maestria.

Dentro do risco, o tesouro se espalha, Fora do círculo, o mundo é distância. Ganha-se a gude, vence-se a batalha, No eterno e redondo jardim da infância.