Quando a alma se cansa do ruído e da pressa, E o tempo parece correr sem promessa, Um anseio profundo nos chama, nos move, Para o abraço antigo que sempre nos houve.
É no chão que se pisa, no verde que acalma, Que a mente descansa e a vida se espalma. O canto do pássaro, a brisa que afaga, Dissolvem o denso, a dor que nos paga.
No cheiro da terra, molhada da chuva, A memória se expande, a alma recusa. A couraça que veste o homem moderno, E busca o que é puro, real e eterno.
Sentir a textura da rocha, da flor, O sol na pele, com todo o seu calor. Ver o horizonte que a vista não cansa, Trazendo de novo a perdida esperança.
É como voltar para um lar esquecido, Onde o eu profundo encontra sentido. Pois somos da terra, do pó e da seiva, Parte de um todo que a vida semeia.
E ao nos conectarmos com a força primal, O humano se integra ao seu natural. A paz se restabelece, o corpo relaxa, E a essência da vida, vibrante, renasce.