Francisco Ribeiro

Chovo assim

Chove lá fora!

Cá dentro, na penumbra,

acende-se-me no corpo o desejo

de te ter aqui por perto.

 

E assim;

cada gota que se afunda no vazio do meu olhar,

estala como um beijo –

doce pingo de desejo,

que em mim deixo gotejar.

 

E sedento…

deserto.

Por teu corpo que não aperto

nesta penumbra do meu lar...

(e que hoje apenas só tecto

para de a chuva me abrigar...),

sinto este frio discreto,

não por a janela ter aberto,

mas que em mim sinto instalar.

 

E acende-se-me no corpo o desejo

de te ter aqui por perto.

E então assim desperto,

ouço o back de cada pingo,

num ping-ping que vai caindo,

no gotejar do meu desejo...

Que em cada gota um beijo meu,

salta livre num respingo...

 

Sorte minha se te acerto.

Em Ti...

Inverno meu,

nuvem escura,

que escarneces de mim.

Raio aceso que me ofuscas,

trovão que não me escutas,

quando chorando...

 

Chovo assim.