Ele anda tão quieto, tão sutil, tão minúsculo,
tão reduto.
Enxuto, mãos cruéis devem ter lhe torcido,
lhe virado, lhe apertado,
Como um pano de chão pisoteado por uma
multidão
Estendido longo após sua vida útil;
Permitido viver, por tédio, por miséria, por falta
de opção
(Talvez só por um carinho intrínseco com
sua dor.)
Manteremos sua memória viva e salva, na
vida e na morte: ele já foi.
E ele era quase o bastante, e ele é quase bom.
Mas às vezes esquece de acordar, coitado,
às vezes esquece que já teve um dom.
Deve lhe cansar abrir as asas, tadinho,
ou talvez não tenha mais o que mostrar…
Ouso dizer que é até bonito agora,
ouso dizer que não é nada mal.
Mas lembrando de sua honra passada,
lembrando de quando se mostrava com
amor…
Mas que trágico, mas que horror…
Deixe-o sozinho agora, e celebraremos
o que ele nos deu de valor
O passarinho é como a gente agora!
Ele comerá do chão e viverá do corpo;
e ele morrerá com poucos e aos poucos;
e ele está morto porque seu coração parou de bater;
e nenhuma metáfora gritante;
e nenhum vocábulo exagerado:
Mas a vida não era eterna quando se sonhava?
Mas você não era imortal pelas cores?
Mas não era assim que você se expressava?
ME EXPRESSO EU, ENTÃO!
Bicho exibido,
bicho enganado,
bicho sem asas
ou beleza que te salve.
Deixe-o morrer e arranque-lhe as penas boas.