“Ela arrependia-se como de um crime, de sua virtude passada” (M.Bovary-Flaubert)
Alma pensativa
Partida ao meio e dividida
Entre metades de uma maçã
E o café da manhã, o gosto do centeio
Da curiosidade proibida
Entre seu instinto de ser da vida
Ou de ser freio, marcos desiguais
Dois obeliscos, um risco, um receio
Pérfidos devaneios
De um marco que não é seu
E o outro marco que lhe é cais
Viveu
Finge pedir perdão
Finge que quer ter paz
Mas busca o pecado
Prisioneira do que aconteceu
O sonho acordado
O gosto que ainda não se dissolveu
De tudo que bebeu e se surpreendeu
Deleite, néctar inesperado
Mas o visgo daquele sabor
Gotas do amor
Um beija-flor admirado