Marçal de Oliveira Huoya

Colibri

“Ela arrependia-se como de um crime, de sua virtude passada” (M.Bovary-Flaubert)

 

Alma pensativa

Partida ao meio e dividida

Entre metades de uma maçã

E o café da manhã, o gosto do centeio

Da curiosidade proibida

Entre seu instinto de ser da vida

Ou de ser freio, marcos desiguais

Dois obeliscos, um risco, um receio

Pérfidos devaneios

De um marco que não é seu

E o outro marco que lhe é cais

Viveu

Finge pedir perdão

Finge que quer ter paz

Mas busca o pecado

Prisioneira do que aconteceu

O sonho acordado

O gosto que ainda não se dissolveu

De tudo que bebeu e se surpreendeu

Deleite, néctar inesperado

Mas o visgo daquele sabor

Gotas do amor

Um beija-flor admirado