Pobre alma esperançosa,
solitária,
insalubre.
Pobre ser que, em um vislumbre de promessa,
projeta uma preocupação
sem futuro,
sem realidade,
nem sequer idealizada.
Preocupação com uma não existência —
substancial,
monótona.
De quem fala a pobre alma:
de si ou de outrem?
Poeta soluto,
desapegado da própria alma,
frágil,
simples,
displicente…
humano.
Diante de todo o teu desconhecido,
buscas proteger o teu interior
como quem guarda a pureza do ser:
a ausência de precisar,
a vontade lenta e calma da paz.
Na ausência presente diante do social,
eles não podem te ver.
Há algo que se desfaz e se refaz —
enfrente-se.
A reconstrução social que realizas
monta as peças da realidade
como um brinquedo infantil:
as peças,
os fatos,
o jogo,
a vida.
Não é a maldade da manipulação,
é a cumplicidade do jogo.
É a parceria consigo mesmo:
escolha consciente,
resposta esperada,
consequência.