Antes do amor, há o silêncio —
um eco de peças espalhadas no chão da alma.
Cada ser carrega partes suas,
como quem monta um enigma com dedos trêmulos.
É preciso, primeiro, aprender a ser inteiro,
pois só os inteiros se encontram sem se perder.
Depois, surge a corda.
De um lado, uma mão; do outro, outra.
E entre ambas, um fio invisível:
feito de promessas, paciência e fé.
Enquanto caminham na mesma direção,
há dança. Há destino. Há Deus.
Mas se um para — ou o outro se desvia —
a dor tensiona, e o vínculo se torna lâmina.
Por fim, entram juntos na cabine sagrada:
espaço estreito, onde só dois corações cabem.
Ali, a respiração é partilhada,
o riso ecoa mais alto, e o silêncio conforta.
Mas que ninguém mais entre,
pois no instante em que o “um” vira “três”,
a luz vacila e o encanto se retrai.
Amar, afinal, é isso:
ser inteiro — antes,
caminhar junto — durante,
e proteger o que é sagrado — sempre.
Pois o amor é místico,
ponte entre o que se é e o que se escolhe ser.
Só floresce onde há entrega,
mas morre onde há descuido.
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