Jérsia Alexandra Castelo Castanheta

Três Faces do Amor

 Antes do amor, há o silêncio —  

um eco de peças espalhadas no chão da alma.  

Cada ser carrega partes suas,  

como quem monta um enigma com dedos trêmulos.  

É preciso, primeiro, aprender a ser inteiro,  

pois só os inteiros se encontram sem se perder.

 

Depois, surge a corda.  

De um lado, uma mão; do outro, outra.  

E entre ambas, um fio invisível:  

feito de promessas, paciência e fé.  

Enquanto caminham na mesma direção,  

há dança. Há destino. Há Deus.  

Mas se um para — ou o outro se desvia —  

a dor tensiona, e o vínculo se torna lâmina.

 

Por fim, entram juntos na cabine sagrada:  

espaço estreito, onde só dois corações cabem.  

Ali, a respiração é partilhada,  

o riso ecoa mais alto, e o silêncio conforta.  

Mas que ninguém mais entre,  

pois no instante em que o “um” vira “três”,  

a luz vacila e o encanto se retrai.

 

Amar, afinal, é isso:  

ser inteiro — antes,  

caminhar junto — durante,  

e proteger o que é sagrado — sempre.

 

Pois o amor é místico,

 ponte entre o que se é e o que se escolhe ser.  

Só floresce onde há entrega,  

mas morre onde há descuido.

 

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