Houve um dia em que o tempo
sentou ao meu lado
e não disse nada.
Como num filme sem ordem,
passado e futuro se misturaram
num roteiro difícil de seguir.
Olhei para trás
com saudade do que fui:
a inocência ainda inteira,
a magia intacta no olhar.
Olhei adiante,
tentando decifrar caminhos,
lugares aos quais quase pertenci,
o futuro que quase existiu.
Nessa conversa sem palavras,
o tempo,antigo e atento,
ensinou:
não avanço,
não retorno,
apenas permaneço
nessa linha tênue do instante.
Quando enfim se levantou,
partiu sem alarde,
deixando nas mãos do agora
o sentido dos passos
e o peso exato da caminhada.