Comecei a listar as ausências
como quem aprende a contar.
Primeiro, a ausência do amor.
Depois, a ausência de ser vista,
a ausência de ser escolhida.
Escrevi esse inventário
em mais de um diário.
Cadernos fechados,
guardados em silêncio.
Anotei também o que não sei nomear:
a maneira como as horas passam,
os dias que não fazem sentido,
a sensação constante
de chegar perto do fim da corrida
sem jamais receber o troféu.
O inventário segue incompleto.
Sempre falta algo na lista.
Talvez porque contar ausências
não seja aprender números,
mas aceitar que o vazio
também ocupa espaço.