Viviane.93

Inventário das ausências

Comecei a listar as ausências

como quem aprende a contar.

Primeiro, a ausência do amor.

Depois, a ausência de ser vista,

a ausência de ser escolhida.

 

Escrevi esse inventário

em mais de um diário.

Cadernos fechados,

guardados em silêncio.

 

Anotei também o que não sei nomear:

a maneira como as horas passam,

os dias que não fazem sentido,

a sensação constante

de chegar perto do fim da corrida

sem jamais receber o troféu.

 

O inventário segue incompleto.

Sempre falta algo na lista.

Talvez porque contar ausências

não seja aprender números,

mas aceitar que o vazio

também ocupa espaço.