joaquim cesario de mello

NO ENTREATO DOS SEGUNDOS

 

Entre dois segundos

há um abismo discreto

onde tudo acontece

 

No primeiro segundo

o mundo ainda é inteiro

o amor não acabou

a árvore permanece

e o corpo acredita no amanhã

 

No segundo seguinte

algo foi retirado sem anúncio

a árvore se desloca

o amor mudou

e o corpo no amanhã chegou

 

De segundo em segundo

ignoro o exato instante

em que deixei de ser

aquilo que eu antes era

apenas um segundo atrás