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Espinho

Estranho, estranho demais para ver 
Irônico, irônico demais para contar 
Eu não quero olhar para trás, porque sempre estive atrás 
Estou sempre marcando um X, mas estou quase virando um X 

Você já tentou? Eu já tentei, tentei tantas vezes 
No desgosto, no pesadelo, eu estive no mesmo lugar 
Na escuridão, meus olhos estão olhando para dentro dos outros 
Abaixei meu boné, não vou deixar a luz me cegar 

Acontece que me acostumei com a ventania, e o meu eu do passado escolheu a tortura 
Não tinha conhecimento, não tinha culpa, enquanto o buraco ficava mais fundo 
Um dia após o outro, um dia, um dia eu acordei me afogando 
Eu me senti tão cansado, nunca me senti inteiro, nunca senti que pertencia a algum lugar 

Você está cansado? Você está chateado? Você está amargurado?
Suas palavras viraram lama, seu rosto uma escuridão, seu reflexo nem existe 
Mas, fomos feitos para durar, com ossos difíceis de quebrar 
Então eu decidi parar de cavar a minha própria cova 

Acendi o esqueiro, uma, duas, três vezes, até o fogo começar 
Cortei os galhos, quebrei as pontas, apertei a dor
Dissecando o sofrimento, mergulhando no vazio
Está na hora de tirar esse espinho da vida, enquanto a morte não bate na sua porta...