Tu ignoras — e talvez deva ser assim —
o quão me enclausuro dentro de mim.
Não por toque, promessa ou afeto deliberado,
mas por algo silente, do peito emanado.
É um sentir que aprisiona sem grilhões,
sem fita, sem rosto, sem convenções.
Um querer que emergiu do mais árido chão,
e fincou-se em mim — espinho e emoção.
Sem história, semente ou gesto ensaiado,
é tua presença que me deixa cativo, encantado.
Beleza que não suplica por atenção,
mas desarma os pilares da minha razão.
Não há culpa, nem lógica, nem intenção,
há apenas esta paixão muda, em combustão.
Ouvir teu nome, respirar teu som,
é ver ruir o muro onde guardei o dom.
Mas não posso eternizar tal estado,
nem silenciar o que tem gritado.
Quero arrancar esta dor enraizada,
e encontrar alento em alma alçada.
Pois sei que é este sentir que me ata,
e apenas ao soltá-lo, ganho a carta.
De voar leve — sem grades, sem ilusão —
com mãos abertas… e livre o coração.