Sou poeta da noite
do escuro do espaço infinito
do assossegar silencioso das ruas
e do uivar distante das corujas
A noite me empresta
um idioma mais lento
onde as palavras das vozes
não precisam provar nada
Trabalho com o que sobra do dia
com os restos de memória e de luz
e assim escrevo quando o mundo
desiste de ser mundo e se transforma em rumor
O poeta noturno é todo aquele
que no tempo em que o tempo dorme
aprende a ver o que no claro não se vê
no momento em que o mundo fecha os olhos