Sempre que chove, a minha alma voa.
Dança na água, à minha frente,
e vejo-a brilhando reluzente
num sorriso de gaiato travesso.
Deixo-a ir, não a impeço.
Aqui um salto, ali um tropeço;
quero-a assim criança, divertida.
Vendo-lhe o sorriso contagiante,
luzindo, estrela cintilante,
eco de infância esquecida.
E cai a chuva, saio à rua.
Saio eu, não sai a lua,
que essa da chuva se escondeu,
e sobre as nuvens se abrigou.
Mas com esta alma minha,
para quê outra companhia?
Rio-me agora…
Que caiu na poça e se molhou.