Francisco Ribeiro

Vagabundo

Quando por fim a Lua acorda

E se espreguiça pelas ruas,

Vagueando te encontra

Nessa noite em que perduras.

Pobre Vagabundo

Que tens no tecto do mundo

O tecto do teu Lar…

Que te acolhe a alma, perdida,

E por escola te dá a Vida,

Por onde andas a vaguear.

Aprendeste-lhe a dor e o sofrimento.

Conheceste-lhe o desalento,

E foste ainda mais além…

Cursando letras de amargura,

Leste nas linhas da ternura

Que o Amor não é…

De Ninguém.

Tiveste por mestre o Vento,

E por grão-mestre o Tempo

Dos muitos dias, vividos…

Aprendendo com o Sol a rir.

E com a Lua a sentir,

Sentimentos desconhecidos.

Em muitas aulas de paciência,

Aprendeste que o Amor não é ciência,

Com fórmula escrita a preceito…

Como os sentimentos, nos ensinam,

São apenas elementos que combinam,

Em cada um, do seu jeito.

Aprendeste no murmúrio das ondas,

 Histórias que hoje contas,

A uma criança, com carinho.

Não és velho, envelheceste!...

Com o muito que aprendeste

No palmilhar de tanto caminho.

Por fim...

Falas com o coração,

Rimando sentimento com emoção.

Não dás a Vida por perdida.

Pois na morte, tens a certeza,

Não haver na Natureza,

Coisa mais certa…

Desta Vida.