adrya

Pensando sobre pensar

Na calada da noite a mente ecoa sobre meu corpo.

 

Os pensamentos estrondeiam tão forte fazendo-me viver tudo que já foi vivido — em uma busca incansável por alternativas, outro desfecho ou vivendo aquilo que não aconteceu ou não existe neste âmbito.

 

Eu possuo o saber. Eu tenho em mim a consciência de que essa onda de pensares não está sob meu controle.

 

Não há de mim mudar a realidade. Eu deveria ver isso com outros olhos. Eu sei.

 

Todavia, apesar de plena consciência, eu não sei controlar minha mente.

 

Não consigo evitar pensar. Enxergo a contradição — mas ela continua aqui, ainda.

 

E na calada da noite eu me dano.

 

Enquanto outros dormem, eu nunca descanso.

 

Reviro-me de um lado ao outro na busca de um meio para livrar-me dessa angústia — que nasce no peito, parte ao cérebro e me detona por inteiro.

 

Maldita mente pensante. Ativa sem parar.

 

Na procura por respostas para tudo — até para aquilo que não há.

 

Eu quero soluções. Mas, ainda não consigo abrir mão.

 

Ela surge e me faz pensar.

 

Penso mesmo sem querer pensar.

 

Nunca paro de pensar.

 

Penso em como parar de pensar.

 

E pensando, mais um poema nascerá.