Na calada da noite a mente ecoa sobre meu corpo.
Os pensamentos estrondeiam tão forte fazendo-me viver tudo que já foi vivido — em uma busca incansável por alternativas, outro desfecho ou vivendo aquilo que não aconteceu ou não existe neste âmbito.
Eu possuo o saber. Eu tenho em mim a consciência de que essa onda de pensares não está sob meu controle.
Não há de mim mudar a realidade. Eu deveria ver isso com outros olhos. Eu sei.
Todavia, apesar de plena consciência, eu não sei controlar minha mente.
Não consigo evitar pensar. Enxergo a contradição — mas ela continua aqui, ainda.
E na calada da noite eu me dano.
Enquanto outros dormem, eu nunca descanso.
Reviro-me de um lado ao outro na busca de um meio para livrar-me dessa angústia — que nasce no peito, parte ao cérebro e me detona por inteiro.
Maldita mente pensante. Ativa sem parar.
Na procura por respostas para tudo — até para aquilo que não há.
Eu quero soluções. Mas, ainda não consigo abrir mão.
Ela surge e me faz pensar.
Penso mesmo sem querer pensar.
Nunca paro de pensar.
Penso em como parar de pensar.
E pensando, mais um poema nascerá.