Joguei palavras ao vento,
não para que fossem belas,
mas porque não suportava guardá-las em mim.
Cada sílaba era um pedaço da minha pele,
cada silêncio, uma ferida que não cicatrizava.
Subi alto demais, acreditando que o céu me sustentaria,
e quando caí, descobri que o chão também dói.
A quebra foi tão brusca
que até hoje sinto o eco dentro de mim.
Ainda estou aqui, mesmo sangrando por dentro.
Minha insistência é invisível,
minha partida, silenciosa.
O que foi abrigo virou rotina,
e a rotina se dissolveu como neblina.
Não quero mais enfrentar o vazio,
não quero mais noites sem luz,
quando sua presença iluminava até o escuro.
Não quero fingir que outros me saciam,
quando é você que procuro nos meus sonhos.