Ó mortais que vos prendestes às escrituras de pedra,
não vedes que o céu é vasto e infinito em mistérios?
A razão clama como trombeta, mas vossos ouvidos se fecham.
O livro que chamais sagrado é véu que oculta o firmamento.
Não é sabedoria, mas prisão de séculos e sombras.
As estrelas, que cintilam em coro eterno, não se curvam a dogmas.
Quem crê sem indagar, caminha em trevas voluntárias.
O cosmos não fala em parábolas, mas em números e luz.
E vós, que temeis o saber, chamais heresia o questionar.
Mas heresia é negar o próprio espírito que busca.
O apocalipse não vem dos céus, mas da mente encerrada.
A fé cega é corrente, não asa.
O universo é livro aberto, não pergaminho gasto.
E quem nele lê, encontra a verdade que liberta.
Assim fala a razão, eterna e indomável, contra o jugo da ilusão.