Nas florestas antigas, os druidas sussurravam sobre o fim dos tempos.
Não era o fogo divino que temiam, mas a sombra das cruzes erguidas.
O cristianismo moderno, com sua promessa de salvação única, esmagava a diversidade dos deuses.
Para os filhos de Caim, isso era o verdadeiro apocalipse: a morte da pluralidade.
Os pagãos viam na imposição da fé uma guerra contra a terra e seus ciclos.
Cada templo erguido sobre bosques sagrados era uma ferida aberta no mundo.
O mal não vinha de demônios, mas da arrogância de uma religião que se dizia absoluta.
Caim, amaldiçoado, tornava-se símbolo dos rejeitados e dos esquecidos.
Os seguidores do sangue viam no cristianismo uma prisão para o espírito.
O apocalipse não era o fim do mundo, mas o fim da liberdade de cultuar.
As runas antigas falavam de resistência contra o jugo da cruz.
Os deuses pagãos clamavam por lembrança, mesmo sob perseguição.
O mal estava na negação da diferença, na uniformidade imposta.
E assim, o apocalipse era vivido diariamente, não como destruição, mas como apagamento.
Os filhos de Caim e os pagãos se uniam na memória, guardando o fogo da rebeldia.