Preparem as vossas armas
As águas
Podem estar calmas
Mas não baixem a guarda
O perigo pode vir de qualquer lugar
Estamos numa batalha
Em que apenas um pode vencer
Se a memória não me falha
Disseste que eu não poderia perder
Que se eu perdesse, seria a piada do ano
Então aqui estou, com o meu álbum inteiro
Trabalhando de Janeiro a Janeiro
Sou João, o trabalhador
Porque achas que eu não preguei olho
Porque ao contrário de ti, eu tenho um sonho
Porque ao contrário de ti, eu faço tudo aquilo o que me proponho fazer
Porque ao contrário de mim, não tens onde cair morto
Porque ao contrário de mim és um falhado e ponto final
Não estamos juntos nem perto disso
Até tua sombra se esconde
Por vergonha, preferindo manchar teu nome
Consigo ouvir daqui. Mas onde? onde me vou esconder?
De borracuecas, muitas promessas
Aquelas que não são cumpridas
Na peça, os medos ao contrário
Apenas o vocabulário muda
Porque quando atuas
Onde estão as tuas falas
Não as sabes de cor e salteado
Porque acusas cansaço
Não falas te calas, na verdade nem chegas a falar, ficas calado
Durante todo o ensaio
Não queres saber, preferes cuspir para o lado
Oh meu deus o que é que eu faço?
E se eu falhar no meio do palco
Não terei risos nem aplausos
Só assobios, um cenário idêntico ao holocausto
Só queres dar show
Mas acabas de mãos a abanar
Já eu por outro lado, seguirei o flow
Porque uma estrela como eu nasceu para brilhar
Eu nem pareço eu quando tenho fome
Quando tenho fome pareço o come e dorme
Mas lá no fundo tenho um talento enorme
O talento para a música, seja a cantar depressa ou devagar
O meu sucesso virá
Então eu paro de divagar
Faço o melhor que há
Escrever, afogar as mágoas na escrita não é estragar
Porque acusas cansaço
Não falas te calas, na verdade nem chegas a falar ficas calado
Durante todo o ensaio
Não queres saber, preferes cuspir para o lado
Preferes cuspir para o lado, para o lado
Para o lado, lado, lado, lado
Para o lado, lado, lado, lado
Para o lado, lado, lado, lado, oh para o lado