... poeta do cerrado ... Luciano Spagnol

DOR (soneto)

O tormento varou a poesia abismada

enleou-se no verso, tão feroz parecia

que nem sei se este acesso na poesia

é fanico ou somente poética alucinada

 

Só sei que dói, tal chaga duma espada

que sangra como no poema de agonia

deixando o espírito do soneto à revelia

e com cânticos fundidos em um nada

 

Nestes versos tão cheios de assombro

as trevas do sentimento em escombro

dão a prosa aquela sensação de horror

 

Inquieto, e a cada gemido suplicante

vozeando um sofrimento incessante

sofre, e atulha a trova com salaz dor.

 

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado

19 janeiro, 2026, 14’38” – Araguari, MG

 

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