No ir e vir das almas, que a vida nos traz, Um círculo íntimo, de amores e paz. Mas, sob o véu do costume, da pressa do dia, Por vezes se esconde a real empatia.
Então a voz interna, um sentir mais profundo, Nos chama a ver o próximo, o pequeno mundo. No olhar do vizinho, no irmão que se cala, No colega que em sombra, a alma se embala.
Estender a palavra, o ouvido a escutar, Não só por dever, mas por puro amar. A mão que se estende, sem nada pedir, Reconstrói pontes, faz muros ruir.
Pois a ajuda ofertada, um gesto tão puro, Desfaz o que é falso, desvela o futuro. As velhas imagens se tornam desbotadas, Diante da essência, em almas trocadas.
E a teia de afeto se tece de novo, Mais forte, mais clara, no laço do povo. Na entrega e na troca, no apoio sutil, Nasce um novo sentido, humano e gentil.
Os laços se expandem, ganham mais valor, No ato de amparar, no genuíno amor. Reconfigurados, mais ricos e reais, Somos mais humanos, somos muito mais.