Francisco Ribeiro

Correndo no papel

Não pinto,

não tenho traço.

Não sou poeta

Poemas não faço;

A poesia

Não me brota da pele.

Disponho apenas palavras

Numa linha.

Dou sentido a uma frase

Faço-a minha.

Sou só um homem

Com uma caneta e um papel.

Nem artífice da escrita.

Não sou escritor,

Não sou artista,

Ainda que em tinta

Ponha o pensamento.

A minha bata é a pele.

A minha caneta o pincel

E por tela tenho esta vida…

Que vou preenchendo.