Gustavo Felipe

Meia-noite

Meia-noite e eu aqui, com o passado tão presente dentro de mim. Escrevo para vencer o tempo, questiono dúvidas, reviro o pensamento. E é no silêncio que as palavras surgem, saem de um fundo onde as vozes gritam.

Lembro daquela tarde, do pedido que até hoje não entendo, E do vazio da manhã seguinte, que eu senti. Talvez tudo não tenha passado de uma bela alucinação, onde o desejo e a perda fazem corte.

Mas o que é que chama a sua atenção?

Você sabia que tudo pode virar poesia? Desde um lindo pôr do sol à mais crua melancolia. Seja a cor vermelha. Ou a luz de um farol, A vida acontece sob a chuva ou sob o sol. Com a poesia ou sem ela, mas com poesia o olhar se expande, e o mundo fica maior.

Cada batida do peito, cada sensação, pode virar poema ou uma linda canção. Basta sentir, sem medo de sofrer, que o mundo é um espelho refletindo nossa própria fome de viver.

Por isso, antes que o relógio marque a virada, levanto-me cedo, encaro o horizonte e a estrada. É minha a função. Escolher o tom e a cor do meu dia.

Se a chuva cai, não lamento a tempestade. Não culpo o passado, nem o que a sorte não dá, se o plano falha, eu recomeço.

Aqui estou eu. O autor, o escritor do meu viver. Protagonista da própria história, pois o papel até aceita a lógica e a razão, mas a vida... a vida exige o coração.