Karine Soares
Manifesto da alma que sente demais
Sou uma alma estranha, talvez.
Quero me conectar,
mas quando vejo a rasura dos olhos apressados,
me recolho.
Gente que estudou,
mas não aprendeu a viver.
Gente que fala,
mas não ouve.
Que veste marcas,
mas não carrega significado.
Quero amor — mas só se for leve.
Sem correntes, sem cobrança.
Quero amizade — mas sem vitrine,
sem inveja disfarçada de conselho.
Quero rir até doer a barriga,
chorar sem me esconder,
ser ouvida sem me explicar demais.
E ouvir, de verdade,
até o silêncio do outro.
Quero comer bem,
beber com alma,
curtir a simplicidade que cabe no bolso e no coração.
Quero ajuda e quero ajudar.
Quero mostrar que viver vai além da aparência,
vai além da gritaria, das fofocas,
das guerras pequenas.
A vida, pra mim, é amar.
É aceitar sem engolir.
É conversar com verdade.
É questionar o mundo sem deixar de sentir.
Caramba…
Somos só um pontinho azul,
flutuando no meio do nada.
E ainda tem gente brigando por status?
Eu não.
Eu quero viver com verdade.
E encontrar quem vibre assim também.