A melancolia escorre,
não cai de uma vez.
Ela infiltra.
Fica.
É como respirar fundo
e perceber
que o ar não chega até o fim do peito.
O tempo anda torto.
Os minutos pesam.
As memórias não aquecem
elas só pressionam.
O silêncio não conforta,
ele observa.
E quanto mais quieto tudo fica,
mais alto algo dói por dentro.
Não é choro.
É vontade de desaparecer
sem ir a lugar nenhum.
O corpo continua aqui,
mas a alma se senta no chão,
cansada demais
para pedir ajuda.
A melancolia não pede licença.
Ela apaga as cores devagar,
até que o mundo pareça
uma lembrança mal iluminada.
E mesmo assim…
você continua sentindo.
Porque sentir é a única coisa
que ela não deixa morrer.