Antonio Olivio

Ao novo Hitler

 

Diga-me arauto

Você que é herdeiro

Dos homens de ontem

Que plantaram o sonho

No mundo inteiro 

e a glória da justiça.

Que percorreram heroicos

Pelo campo de batalha

Empunhando a mítica 

bandeira da liberdade.

Diga se valeu a pena

A luta contra os Reis

Os ditos ditadores 

Que escravizaram gerações 

Aqueles que acorretanram 

Multidões com mentiras

Sacrificando futuros.

 

Diga-me arauto 

Que sob a sua armadura 

Construída de esperanças 

Haviam podridões 

Sendo manipuladas por fungos e baratas 

E em seus porões malditos

Estavam sendo geradas

As novas loucuras do racismo e preconceito 

O novo mundo supremo

Das novas pessoas superiores 

Para viverem nas novas Yorks do paraíso.

 

Diga Arauto

Em que valas jogarão os corpos

E como dirão não àqueles

Cujos países foram destruidos 

Como fecharão suas fronteiras, aos desgraçados que vagam

no espaço entre o flagelo e a indiferença?

E o que farão com as suas 

memórias que ainda estarão flutuando, sobre sua alma fria?

O que dirão para os novos soldados?

Que verdade tão brutal,

Que possa convencê-los 

a marchar contra a sua própria carne?

 

 

Antonio Olivio