Almeida

Luís

 

 

Luís, diga-me que estás bem,

Diga-me que chorei à toa,

Que não foi para o além,

Que tens uma vida boa

 

Luís, tiraram-te dos meus braços

Sem que eu conseguisse impedir.

Acordei com falta do teu abraço;

Deves estar sem saber aonde ir.

 

Luís, estou a chorar,

Pois sei que não posso te alcançar.

Luís, poderia teu nome não dizer,

Como no poema “Seu nome”, de Fabrício Corsaletti.

Isso não vai acontecer,

Pois teu nome

Sou a única a saber,

Não deixem-os esquecer

 

Luís, quando te chamarem,

Irão te chamar de “meu”,

Sem nem teu nome saberem.

Um nome te darão:

José, João.

 

Luís, antes você não me entendia;

Agora, com tanta tecnologia,

Sequer pode me ouvir,

Sequer posso te ver dormir.

 

Luís, tente não voltar.

Apesar de adulta,

Não tomo nenhuma conduta.

Se voltar, eles podem te matar.

 

Luís, seja feliz.

Se desejar voltar,

Saiba que estou a te esperar.

Saiba que nunca deixarei de te amar.