Jonas Teixeira Nery

Amanheceu

Como amanhecer todas as manhãs nessa vida 
insípida, descolorida, desproposital, dissimulada?
Como todos os dias me levanto inerte, desmedido,
reflexivo, destoante, entre sombras, silencioso?

Ontem dormi entre sonetos e pensamentos,
mergulhados nas minhas lembranças e carências.
Cheguei a pensar em viajar, desfazer-me dessas...
dessas amarras e armadilhas que me atribulam.

Quantos fantasma dormem comigo!
Quantos sonhos, sonhados pensando no passado!
Ah, esses momentos que não voltam mais, 
mais tenho ruminado entre cansaços e decepções!

Hoje amanheci assim, introspectivo, deambulando, 
entre palavras e desejos, amanheci sedento! 
Era um dia lusco fusco, era um dia comum, 
cheio de saudade, cheio de reminiscências...

Pouco me importa por onde levarão meus passos,
Esperanças inauditas me refazem, me iludem!
Ficaram essas divagações nesse dia, nesses momentos...
Agora, desfaz-se, um pouco, o tédio e recomeço!

Quem sabe ainda haja esperança?
Abram-se novas janelas e horizontes se ampliem.
Talvez ainda haja tempo de novas viagens e encontros.
Só sei que não há mágoas, só veredas pela frente...