Ela foi ensinada a seguir pela estrada.
Linha clara, batida,
limpa de desvios,
onde todos passam
e ninguém pergunta por quê.
Disseram:
não saia do caminho.
Não escute o que chama da mata.
Não confie no que cresce fora da luz.
Mas a floresta
sempre soube o nome dela.
Entre troncos tortos
e sombras que respiram,
há vozes que não ameaçam,
apenas revelam.
Cada passo fora da trilha
não é erro,
é iniciação.
O perigo não mora na escuridão,
mora no que foi proibido de ser visto.
O medo não é o lobo,
é o silêncio que ensinaram a obedecer.
Ela caminha
com o coração exposto,
porque só assim
se aprende a diferença
entre perda e passagem.
Há coisas que só se encontram
quando se aceita o risco:
o espelho quebrado,
o desejo sem nome,
a dor que não quer cura,
quer escuta.
A floresta não pune.
Ela devolve.
Cada sombra tocada
retira um véu.
Cada encontro estranho
revela um pedaço esquecido de si.
No fim,
não há chegada triunfal,
nem moral da história.
Há compreensão.
A estrada era segura,
mas nunca foi viva.
E crescer
não é vencer o medo,
é aprender a caminhar com ele
sem pedir permissão.
Porque toda menina
que ousa sair do caminho
descobre, cedo ou tarde,
que o verdadeiro lar
não estava no destino,
mas na travessia.