Kira

Jogo de dardos da solidão

A solidão ainda atinge minha alma como dardos em um jogo de alvo. A cada ponta cravada, uma pontuação de mim é tirada, e uma gota de sangue é derramada ao limpo chão. O maldito som das afiadas pontas me faz agonizar, vendo estrelas que giram na intenção de cegar. A nostalgia ainda me impede de te encontrar, como uma agulha em meio à tempestade. As lâminas de teu olhar abrem meu peito e transpassam o punhal que só tu podes ver. O frio fio em meu coração enrijece-me; minhas pupilas já não dilatam e minhas pálpebras se põem a cair.  Agora, tua voz, que se fragmentou dentro de mim, tenta guiar-me em meio à escuridão que me consome. O teu suave toque ainda permanece fresco em minha pele, que se rasga como papel. O teu perfume, intenso como o sol, transpassa-me como o punhal em meu peito e arranca de mim o coração que já não bate. O teu amor, agora, pesa em minha alma e tortura o ar de meus pulmões, que já não podem aguentar. As gotas avermelhadas que de meu peito transbordam, exalam seu perfume metálico, mas suave como açúcar. Na chuva que se intensifica, as feridas de meu corpo ardem como em brasa, mas, fortalecem o corpo pelo coração que não bombeia.