A noite se estende, é sua e é minha,
um véu de silêncio que me desafia.
Pergunto às estrelas se te guardam bem, ou se brilham só para esconder o que não convém.
Queria que não, que ela não fosse maior que eu,
que em algum instante fosse meu o seu desejo.
Mas sei: não há tempo, não há destino,
nem um minuto em que sejamos caminho.
Entre abraços e farpas, o orgulho nos divide,
o carinho se perde, a razão não decide.
Você busca perfeição, mas ela é miragem,
um molde estreito, uma prisão disfarçada de imagem.
Partir foi ferida, cicatriz que não se desfaz, me mostrou quem você é, sem máscaras, sem paz.
Defendo seu lado claro, mas a sombra insiste,
o ruim acredita, o bom quase não existe.
E se não sou sua escolha, não há porquê,
não me pergunte de outros, não olhe para além de mim.
Pois quem não me vê inteira, não merece saber,
que mesmo partida, ainda sou poesia sem fim.