A vida se vive numa constante acrasia
De se quebrar desejos por um prazer delirante
E com tanto pavor de ver o que a vida traria
De pedrinha em pedrinha, eu a tornei mais brilhante
Mas essa rua, sei: ela jamais foi minha
Apesar de tê-la cravejado em diamantes
Pois se não, ela me levaria a lugar algum
Mas eu sempre volto ao lugar de antes:
A uma casa, muito engraçada
Que não tem teto,
Que não tem nada.
Ela tem muitos ratos,
E ela é toda deformada:
Ela não tem vida, ela não tem nada.
E esta é uma rua de uma única morada,
Uma que se recusa a ser reformada
O seu chão destrói os próprios azulejos,
Suas janelas quebram as próprias vidraças
Quem sabe se o anjo devolvesse seu coração,
A casa passasse a ser mais que nada;
Quem sabe a rua alcançasse o coração,
Ela não fosse mais
Tão engraçada.