ALLAN LINCK

O CELEIRO...

O celeiro,
sob a neblina,
luz do meu
candeeiro,
a névoa,
a relva,
nessa obscura
trilha, que foi
sofrimento de
minha família...
O celeiro, era 
na casa do nosso tio,
de nome Manoel, 
alcunha \"MANECA\",
ficava na curva da
estrada,
à esquerda, 
tudo verde-escuro,
casa à esquerda e,
junto à casa, havia
um celeiro à direita,
cheio de feno.
Éramos oito irmãos,
cinco homens e três
mulheres, ainda
crianças.
Fomos separados
na mais tenra idade,
assustados, sozinhos
na cidade.
Cada um de nós,
teria de ficar a sós,
na casa de cada tio,
que nos aceitasse,
tornando frio,
sentimento de solidão
e afastamento de nossa
mãe.
E no celeiro, ficou minha irmã
de sete anos, a Kátya, e não
havia casa nem cama,
ficou isolada da família dele,
dormindo no feno, no chão,
sozinha, abandonada no celeiro,
calor, frio, suor, calafrio,
e, quando chorou, colocaram 
pimenta na sua boca,
que se cobriu de feridas.
\"Coisa pouca\", disseram,
e logo estaria de partida,
tudo provisório, ilusório...
Observei tudo, aos cinco anos,
momentos insanos,
inesquecíveis.
Ela, sofrimento e
tormento, cresceu revoltada,
com muitos problemas,
e tudo o que vi me marcou
para sempre.
Ela já partiu, eu fiquei,
ela sorriu, eu chorei.
A família nunca foi reunida
totalmente,
fiquei deprimente,
mas tive que sobreviver...
Espírito aventureiro,
sofrimento passageiro,
mas que nunca passou...
Não, nada foi
passageiro, e nunca
esqueci,
o assustador CELEIRO...