Para mim, em silêncio
Eu te amei como quem não sabe amar pela metade.
Inteira, intensa, sem defesa.
Te amei com tudo o que eu era
e com tudo o que você nunca conseguiu ser para mim.
Talvez eu tenha sentido demais.
Ou talvez você tenha sentido de menos.
Entre o meu excesso e a sua frieza,
eu fui ficando sozinha, mesmo acompanhada.
Eu falava de amor, você se fechava.
Eu estendia a mão, você se afastava.
E amar assim cansa, fere, apaga aos poucos.
Um dia eu entendi:
amor não se pede, não se implora, não se explica.
Amor acontece em cuidado,
em presença,
em ficar.
Então eu escolhi quem me escolhe.
Quem me ama no gesto, no olhar, no dia comum.
Quem cuida de mim sem que eu precise sangrar para ser vista.
Não te deixei por falta de amor.
Te deixei por amor a mim.
Porque você não faria por mim
nem metade do que hoje fazem.
O que senti por você foi real.
Mas era amor de passagem,
daqueles que ensinam
antes de ir.
Hoje descanso onde sou amada.
Guardo o que vivi sem culpa
e sigo sem saudade do que me doeu.
Eu mereço um amor que fique.
— Kekeh