CYT

Proa e Ópio

Minha marcha guiada pelo chão
Desejo passos que ignoram os degraus
O amanhã ali bambo em horizonte cônico
Mente que flutua no encovado azul arcano 

Acelero em reta num labirinto vazio
Recupero em tempo um canto sereno?
Ignorei que o sonho e a realidade
Se fizeram do mesmo reduzido de coisas

Me conforta a indiferença sob esse céu
Rezo por caminho que te caiba em abraço 
Do leste em rajadas de pó e folhas
Segue a luz amarela em proa e ópio

Da resignação desejo esperança
Meu eu denso, em incenso fechado
Que nunca, por mal ou sinceridade
Rogo para que o desconhecido sempre me atraia 

Me apoio em xaropes e diminutas cápsulas
Mesmo que me tomem por fraqueza
Não trairei o véu em púrpura de certeza
De reencontros e derradeiros descuidos