Não devemos esperar que a flor murche em nossas mãos
para entender que nunca foi jardim.
Nem deixar que o grito se torne insuportável
para perceber que o silêncio já nos consumia.
O amor verdadeiro não acorrenta — sustenta.
Não corta as asas, mas as limpa do medo.
Não apaga luzes em nome da permanência,
nem exige que deixemos de ser para ficarmos.
Há promessas que soam sagradas,
mas escondem algemas bem polidas.
*\"Até que a morte nos separe\"*
não foi feito para justificar feridas,
mas para selar um pacto de vida.
Por isso, precisamos aprender a dizer não
enquanto ainda temos voz.
Dizer não ao toque que pesa,
ao ciúme que sufoca,
à palavra que nos diminui,
ao olhar que apaga quem somos.
Porque amor que exige dor como prova
não é amor — é prisão disfarçada de afeto.
E coragem não é seguir até o fim,
coragem é parar quando o fim já começou.
Antes que a morte nos encontre
em nome de um nós que nos destrói,
precisamos salvar o que ainda resta de eu.
Temos que aprender a dizer não,
antes que a morte nos separe.
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