Sobre o dossel, tua alvura de mármore resplandece,
Pele nívea onde a luz se perde em um brilho lunar.
Teus seios, como cálices de marfim que o desejo oferece,
Oscilam em harmonia ao ritmo que vens ditar.
És a Cruella de um suplício onde o toque é veneno,
A joelhar-se em meu peito com tal abdução vital;
Abrindo e fechando o compasso de um éden sereno,
No encaixe pélvico que anuncia o meu fim fatal.
Teu corpo recua, buscando a tensão pendular,
Força que projeta o quadril em um arco de luxo.
Sinto o atrito da derme, o calor a me incendiar,
Nesse vai e vem sádico, nesse ardente refluxo.
No encaixe profundo, a sinergia enfim se revela,
O ápice da sentada, onde a carne se faz oração.
Sucumbo ao teu dote, à tortura de ser tua sela,
E me afogo no êxtase da tua absoluta audição.