Versos Discretos

Movimento

 

Sobre o dossel, tua alvura de mármore resplandece, 
Pele nívea onde a luz se perde em um brilho lunar. 
Teus seios, como cálices de marfim que o desejo oferece, 
Oscilam em harmonia ao ritmo que vens ditar.

És a Cruella de um suplício onde o toque é veneno, 
A joelhar-se em meu peito com tal abdução vital; 
Abrindo e fechando o compasso de um éden sereno, 
No encaixe pélvico que anuncia o meu fim fatal.

Teu corpo recua, buscando a tensão pendular, 
Força que projeta o quadril em um arco de luxo. 
Sinto o atrito da derme, o calor a me incendiar,
Nesse vai e vem sádico, nesse ardente refluxo.

No encaixe profundo, a sinergia enfim se revela, 
O ápice da sentada, onde a carne se faz oração. 
Sucumbo ao teu dote, à tortura de ser tua sela, 
E me afogo no êxtase da tua absoluta audição.