Quando escrevo, mergulho no silêncio do meu ser, mesmo que lá fora faça um belo dia de sol. Escrevo um monólogo onde a mente se despe e se faz papel, ignoro o fluxo da rua para te guardar sob o meu céu.
Quem me lê, percorre o que tenho de mais profundo, enquanto sigo, em pensamento, vagando pelo mundo. Haverá sentido nisso? Ou será apenas devaneio, essa tentativa de, ao longe, te encontrar ao me ler?
Pergunto-me o que tu te sentes, se é que sentes algo, se as minhas palavras te alcançam pois me parece impossível o vazio absoluto te conter. Não é vaidade de versos, nem ego ou prepotência de autor, não busco o enaltecimento de quem sabe escrever.
É apenas o peso do que entrego, vivo e bruto, a urgência de colocar no mundo o que não sei dizer. Minhas palavras são carregadas: ora gritam, diretas, camuflam desabafos, buscando te alcançar
No fundo, também sou turista aqui, um viajante na própria mente, no fundo, escrevo para que saibas, entre as letras, que foi no teu pensamento que aprendi a moldar essa escrita.
Escrevo para que te conforte saber: nada foi em vão. Um dia, quando teus passos virarem memória e história, terás em mãos este livro, fruto de uma imensa entrega, para que possa dizer, com o peito cheio.
\"Escreveram um livro sobre mim.\"