Quando digo que estou cansada, não é frescura.
É um grito silencioso de tudo o que engoli calada,
um turbilhão de dores guardadas,
um peso que ninguém vê.
Não é vitimismo, nem drama.
É só cansaço — desses que a alma sente,
que o corpo carrega e o coração esconde.
Porque, às vezes, ser mulher cansa.
Cansa a rotina, cansa a luta,
cansa ser forte todos os dias
quando ninguém percebe o esforço.
Cansa ser rejeitada,
cansa ser mal amada,
cansa ouvir tantos “nãos”,
cansa quando tudo parece dar errado.
Cansa o estresse,
cansa ser mãe,
cansa ser esposa,
cansam as críticas,
cansa o desemprego,
cansa até o trabalho que sustenta.
Cansa ser humilhada,
cansa não ser vista,
cansa ter que engolir o choro
para continuar vivendo.
É só cansaço…
de tudo e de todos.
Mas ainda guardo 1% de fé —
aquele restinho que me mantém de pé
e sussurra que um dia vai mudar.
Porque nada dura para sempre.
É só uma mulher cansada…
mas ainda de pé.