A noite me chama,
a cidade adormecida me seduz.
O silêncio me cativa
e as luzes me hipnotizam.
Olhando as luzes de longe,
me aproximo do perigo
apenas por essa beleza escurecida.
Em meio à luz do luar,
me ponho em alerta:
roncos de motores,
risadas quebrando o silêncio.
NÃO ESTOU SOZINHA.
Quero chorar,
mas isso não vai me proteger.
Então me forço a correr —
mesmo petrificada pelo medo,
meu corpo corre.
Corre para a casa que me abriga.
Do alto da minha casa,
aprecio a cidade,
mas a observo de longe,
pois sei que lá não estou segura.
A paisagem é linda,
mas tenho medo do que acontece
escondido sob as luzes,
pois sei que há uma mulher pedindo socorro,
e dói saber que não posso ajudar.