Estando esparramada,
Afogada em soledade,
O vinho tinto outrora doce,
Fez-me clamar em piedade.
Como pôde apunhalar?
Não perdoo traição.
Se queres me afogar,
Irei pô-lo em maldição.
Toques de ternura ficam,
Admiro sua face.
Vê essa loucura, sente.
No amanhã ela renasce.
Que fim brindamos?
Enlaçados, corpos dançam.
O tom de sangue banha-nos,
E os sons do silêncio encantam.
Cessa o ritmo dos passos,
Derradeiro brinde feito.
Lanço-me a esta pista
Para enfim contar:
Essa passagem fixa o amor
Remanescente de minha dor.
Devo dizer-lhe, meu ardor?
Ficaremos acorrentados até o fim.