No oceano que me afoga, as imagens que a nostalgia prende passam diante de meus olhos. O fino vidro que me separa de tua mão rasga minha delicada pele e escorre de mim a ausência que se escondeu em minha face. Os resquícios de tua voz me agarram sem intenção de soltar; me apertam-me e me rasgam-me como lâminas recém-afiadas. A saudade de teu toque me faz delirar, provoca-me náuseas que tiram meu fôlego. Com o ar que ainda me restas, tento livrar-me do teu cheiro doce e amargo, que me perfura como pontas afiadas. O cheiro salgado que de mim exala arde como fogo em brasa, que queima até o fundo de meus ossos. Meus olhos, agora enfraquecidos fecham sem que eu possa sentir; o ar que me restava se acaba. Agora, eu afundo até o mais profundo abismo, onde as pedras quebram minha alma e desmontam minha memória. No claro, na nostalgia que me conforta, teu doce toque permanece fragmentado e tua voz quebra meus ossos frágeis. O fino vidro que me separava de ti perfurou cada parte de meu corpo; perfurou minha memória e te apagou dela.