I. A Apresentação: O Prólogo dos Sentidos
No palco de seda, o olhar se faz convite, Um prólogo escrito em vultos e lumes, Onde o toque, ainda em rascunho, admite O rito das sombras e o peso dos perfumes. A pele é o pergaminho, alvo e latente, À espera do traço, do gesto, do açoite, Início sutil de um enredo ardente Que busca o domínio absoluto da noite.
II. O Conflito: A Tensão do Impasse
Mas surge o embate, a gentil resistência, Onde a boca procura o que a mão interdita, Uma dança de nervos, de pura insolência, Que entre o \"não\" e o \"sim\" a volúpia habita. Há um cerco montado, um avanço, um recuo, O suor que desenha a fronteira do medo, O ritmo se altera, constante e mútuo, Despindo as camadas de cada segredo.
III. O Clímax: A Apoteose da Carne
Explode o enredo em espasmo e vertigem, Onde o verbo se cala e o grito governa, Dois seres que voltam à bruta origem, Na entrega absoluta, faminta e eterna. É o ponto de giro, o ápice do fogo, Onde a carne transcende a própria matéria, Vencidos e vencedores no mesmo jogo, Sob a luz de uma lua cúmplice e séria.
IV. O Desfecho: O Epílogo do Repouso
Enfim, o silêncio. A página vira. O ritmo abranda na calma descida, A fúria do peito agora suspira, Na paz da batalha que foi consumida. Resta o cansaço, o rastro, a memória, O gosto do sal e o calor que escorre, O fim magistral de uma breve história Que nasce no toque e no gozo morre.