Pequenas portas levam a grandes quartos
dentro da minha cabeça.
Entro sem bater,
porque o pensamento não pede licença.
Ouço ideias que não me pertencem,
mas usam-me como morada.
Talvez pensar
seja aceitar visitas invisíveis.
No silêncio da confusão mental,
a memória assume o comando.
Não grita —
apenas insiste.
Teu nome não tem forma,
é conceito, não presença.
E eu também me tornei
menos corpo, mais ausência.
Esses pensamentos empurram-me
para fora dos muros do agora,
onde o tempo deixa de pesar
e a saudade perde a pressa.
Ali, perco-me com método,
não para esquecer-te,
mas para aprender
a continuar
Mesmo sem resposta.
Imagno Velar