Similton Fidelino

Vamos falar da prostituição

Vamos falar da prostituição, rapariga, 

sem véus, sem julgamentos fáceis, 

olhos nos olhos, a verdade crua. 

 

Corpos à venda, 

pedaços de alma expostos, 

num mercado de desejos e solidão. 

 

As ruas frias, 

a noite escura, 

o medo constante, 

a esperança silenciosa. 

 

Quem as vê? 

Quem se importa? 

Além dos clientes, 

além da polícia, 

além do asfalto. 

 

Histórias marcadas 

na pele, no olhar, 

vidas roubadas, 

sonhos desfeitos. 

Vamos falar, 

não para julgar, 

mas para entender, 

para acolher, 

para mudar. 

A prostituição, 

um espelho da sociedade, 

que reflete a desigualdade, 

a exploração, 

a falta de oportunidades. 

 

Rapariga, 

não és só um corpo, 

és uma história, 

uma luta, 

uma esperança. 

 

Vamos falar, 

para romper o silêncio, 

para dar voz, 

para construir um f

uturo 

onde a dignidade não seja mercadoria.